Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira
Mostrando postagens com marcador book2. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador book2. Mostrar todas as postagens

mel merengue chocolate

mel merengue chocolate

teu mel gruda
meus beiços
 tuas bolas de merengue
pingadas de chocolate
meus lábios
 beijam-te anseios
desejo pulsante
tão doce
invade

sacharuk


óculos arcoíris

óculos arcoíris

vejo-te sentada à poltrona
deixada no meio da rua
sobre o tapete de alcova
sob a luz que bate na lua
nas minhas lentes arcoíris

sinto-te no prazer que emana
a visão das tuas ancas nuas
a serpentear-te aos matizes
jorram dos bicos das mamas
cores impuras
com cores cruas

teu caleidoscópico sorriso
estampa as vaidades tuas

sacharuk


todas as manhãs

todas as manhãs

bem-te-vi
teus olhos
acordar meu sorriso
bem-te-vi
beijos coloridos
bem-te-vi
dia inteiro
bem-senti o teu cheiro
bem-te-vi nas promessas
bem-que-quis tuas carícias
de todas as manhãs
de amor e preguiça

sacharuk


pernas


pernas

amor, recebo teu presente
e como sempre
eu vou às estrelas

te vejo reluzente
nas curvas belas
arcoíris resplandescente
em pastéis e cianetos
de discretas nuanças
vermelhas 
e amarelas

as tatuadas sentenças
na tua pele libélula
inspiram sonetos
milongas, vaneiras 
e tarantelas
doces matizes na tela
a florescer nos tercetos

amor, eu fico contente
bem ali na minha frente
as tuas poses singelas
a coroar meu momento

um arrepio violento
entorta as tabelas
tal golpe de vento
e me faz sorridente
na plenitude inocente
prazeres à luz de velas

e revivo as novelas
que semeiam promessas
nessas tardes quentes
com chuva na nossa janela
a alimentar esperanças
convites a outras danças

amor, eu esqueço as mazelas
e sigo leve tal criança
se encontro o oriente
no doce rio da nascente
que se forma entre
tuas pernas
sacharuk

Boca



Boca

sussurras o nome
assanhados cabelos
bebes beijos
e das roupas
que eram poucas
nada fica

de ti sei da fome
que pega 
que come
me some
sincronia de dentes 
poesia de língua 
dança alucinada

suplicas desejos
provas dedos
até o fim
se digo que sim
a mim
não recusas

arranco segredos
de verve afiada
versos em brasa

as marcas
espalhadas
nas entradas
e o encanto 
pelo canto
da boca 
semicerrada

wasil sacharuk

Murchaflor


Murchaflor

Faço da estranha energia 
arrebentações de poesia
pouco de rima cercada de mágoa
sem cartola, coelho e brilhos

troco o país das maravilhas
pela solitude da minha ilha
pouco de terra cercada de água
e finco a bandeira do exílio

Meu cansaço de murchaflor
floresce do broto dos medos
desconheço como esquecê-los
e lograr teus doces desvelos

entre icebergs e folguedos
entendo os riscos do amor
cruzo do abismo ao esplendor
em busca dos meus arremedos

faço implodir meus castelos
arranco a raiz dos cabelos
a caneta presa entre os dedos
rabisca uma história sem cor

meu cansaço esfria o calor
e não faz detonar os levedos
dos olhos derramam colírios
a lavar esquizoides delírios

meus versos se viram em enredos
apartados de algum narrador
minha canção diluída na dor
do eco dos teus rochedos.

Wasil Sacharuk

algumas coisas safadas

algumas coisas safadas

sussurro teu nome
desarrumo os cabelos
bebo beijos
e as roupas
já eram poucas
por mim são negadas

d'algumas coisas sagradas
jamais se esquece

vejo a ti tão assim
quando enfim
sinto fome
boca que come
dentes e língua
a dança alucinada

quero ser poeta
entre pernas abertas
sem pressa ou decoro
tal fera alimentada

algumas coisas safadas
eu nunca disse

vejo a ti tão assim
nos confins
dos desejos
entre meus dedos
sou teu homem
me digas que sim
e a mim
não recuses nada

as coxas afastadas
revelam os pelos
ocultam segredos
numa língua embriagada

algumas coisas pensadas
entre minhas tolices

vejo a ti tão assim
em suspiros aflitos
despida dos mitos
traduzida em mulher
meu poema te quer
crua e desvairada

deixo marcas espalhadas
pelas entradas
escorridas nos cantos
percorrendo os encantos
da poesia apaixonada

sacharuk

Rosa Elétrica - Algumas coisas safadas (Sacharuk-Moskito)







sacharuk tem o apoio de INSPIRATURAS escrita criativa

último arcano

último arcano mais uma dose de fé uma dose de fel dose de céu de ré de dó dose de sorte uma dose de morte mais uma dose de...