Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira
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SOS verve I

SOS verve I

SOS verve:
uma metade já serve
e eu cubro com uma cereja
hoje tudo pode
menos melacueca de pagode
ou ranço de guampa sertaneja

Vem escrever a estratosfera! que megera é essa de tênue razão? carcomeremos o ego da plebe com fios de saltos perfurando o chão

vêm escrever sem sequelas! Que a espera é só alienação. Acenderemos o fogo da febre com versos altos gritando emoção

e que haja a benção dos bruxos no sonho dos loucos ! completa amplidão ! 🤗😍

Marcia Poesia de Sá & sacharuk

fotografia de Andréa Iunes

Parindo futuros

Parindo futuros

Ando rasgando certezas
dissimulando conceitos
refazendo o tear

Ando apagando belezas
percorrendo os intentos
anunciando degredos

Ando bipartindo medos
parindo sonhos como fazem as nuvens
quando venta
reduzindo abstratas formas
a novas descobertas

Ando abrindo vielas
mordendo desilusões e as digerindo
engolindo frações das coisas complexas
com sentimentos mais puros

Ando alucinadamente
parindo futuros.

Marcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk


Rouco gemido


Rouco gemido

O grito que te rasga a voz
renuncia aos teus argumentos
evoca barbáries
lamentos
apressa as intempéries
de todos os tempos

o grito te desata o nó
faz retalhos
provoca catarses
estragos
no abismo dos impasses
risca um atalho

Talho rouco na pele do eclipse
faz sangrar os céus 
em magentas azulados
gotas de medo e espasmos
nos céus de todos os ritos

Varamos as madrugadas desnudas
silenciosos ecos flamejantes
por entre fogueiras errantes
estrelas dançantes riscadas no chão

E Enfim,
O berro ecoa lancinante
Fazendo malabarismos de instantes

E morre gelado na glote

Outra vez.

Wasil Sacharuk e Márcia Poesia de Sá

Nua e mais nada

Nua e mais nada

quero tua palavra nua,
sem pele, sem remendos, sem acertos
quero tua palavra rabiscada
exagerada
sem lamentos
quero tua palavra direta
enxertada
enfiada
afiada
aprofundando minha alma 
de teu perto

quero decorar teu dialeto
ouvir tua boca calada
mascando palavras repletas
sem ornamentos
sem emboscadas
tua tônica sem acento
teu verbo sem movimento
em locuções encantadas
quero a palavra que completa
e mais nada.

Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk


Escrever com Márcia Poesia de Sá é foda. Minha vã poesia se dilui em plenitude. O melhor afago aos meus vícios e virtudes(?)rsrs

Tragicomédia

Tragicomédia

Quem dentre todos tem a voz mais alta? Aquele que esbraveja e com ferro fere falando das verdades que ele com alma profere... Ou aquele que com açúcar mela os olhos alheios de verdades infundadas de12122667_10207884994191222_142936889547135367_n medos descabidos? Ha na vida o intuito de ser ...e sendo, não se mede o alto som do grito, tornam-se melodia as notas que harmonizam-se, mais que os batuques em baterias surdas. Humanos que artistas dizem-se...erram a pincelada em movimentos híbridos. Quem suja o avental na tinta ocre que escorre da própria boca? Aquele detrás da máscara de ferro que não tem nada, além de uma palavra tosca, tola e louca... e um berro... que com alma profere, enquando fere. Ou aquele que com açúcar mela os botões das flores para atrair insetos trabalhadores? Fazem-se poesia de pleno sentido, daquele grito retido, da voz mais alta que emerge de gargantas mudas. De humanos se fazem artistas... que erram os conceitos do nada nos momentos críticos.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk

Canto triste



Canto triste

Eu sou a fera que mordeu o tratador
o bicho homem que do nada desistiu
eu sou o rio que comeu a ribanceira
sou a poeira que em teu olho fez pavio...

Sou primavera de aurora em tom sombrio
o lixo humano de esperança alvissareira
sou a vitória  que perdeu um desafio
 a  gravidade que despenca em corredeira

Sou a vingança que em poesia desespera
sou a hera que nasceu no mar bravio
o barco laico, o todo espaço,  o desvario
o mundo todo , uma saudade, um beijo frio

Eu sou a mágoa que irrompeu no teu amor
o choro seco que escondeu quando sorriu
o canto triste que ecoou em voz faceira
sou a porteira que fechou quando se abriu.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk

Almas de vento

Almas de Vento

E de que metade nos assemelha o sabor?
a coloração tácita do cérebro
um elo entre o visível e o invisível

- Quem somos nós?
Prendemos versos entre anéis do infinito
onde o fogo arde a dança néscia
um alimento ao irreal impossível

Não estamos sós!
Poetas das entranhas benignas
malditos seres com almas de vento...

- Quem somos nós, rastejantes?
ou voadoras flechas do intelecto?

Somos os prestiditadores dos signos
bardos confinados às letras e cantos
não estamos sós, mesmo distantes
nas sonhadoras curvas do dialeto

Inquietamo-nos sem saber...
aquietamo-nos por preguiça!
somos o raio que simboliza
e a dor que agoniza
inocência e malícia
de escrever.

Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk


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Sentimento Léxico





Sentimento léxico

O que fazer com essas palavras úmidas, agarradas aos lodos das paredes? elas escorregam esverdeando as paisagens ...
temo um temporal e todas elas amontoadas num ralo,
subitamente começarem a pedir socorro!

O que faço com letras que despencam pontacabeça ao chão de cimento
e se escondem junto às formigas, nas rachaduras amalgamadas no quintal, em sentenças, farejadas pelo cachorro?

O que faço eu com a glote, quando travada, as vírgulas e as aspas, começam todas a dançar ao som maquiavélico dos pontos? são as interrogações dos espantos...
enquanto os "is" assumem uma outra cabeça: exclamações!
O que fazer com as palavras, quando tão mastigadas, me fazem tossir?

O que fazer com martelo e bigorna soando poesias pelas ondas no ar
e repicam por todos os cantos? Recitam um verso dislexo, entre tantos
quando um ouvido apreende antes que o outro esqueça as emanações
O que faço com essas letras quando nascem fadadas a sentir?

Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk

Tomando veneno

Tomando Veneno

Moro em uma casa de ranhuras
de paredes já escritas em teias
vivo conjugando conjecturas
de um verso mudo de línguas

Como no prato bordado de dó
a miséria de tanta riqueza
entre a polidez coberta de pó
e a lucidez que corta certeza

Falo uma língua dissonante
que com meu som apedrejo
enquanto calo o instante
daquele beijo que não beijo

Sei que me encontro nas ruas
e deito e durmo nas tormentas
único argumento da lógica nua
é bebido em gotas peçonhentas.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk

Eco de poesia

Eco de Poesia

Que se faça o mais belo poema
que as palavras se abracem em rimas
Que o amor supere obstáculos
que a verdade então se defina

Não se perca nos nós do sistema
Não se deixe quedar pelas sinas
Não se prenda a outros tentáculos
Não permita que fechem as retinas

Onde as cores então silenciam
e ao longe...se ouvem sons
deste poema ecoa melodia

Onde as dores não gritariam
E só vivam momentos bons
Num esquema de plena harmonia.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk

Tela de mar

Tela de Mar

Onde anda o mar que pintei para você?
E aquela onda sonora de puro prazer?
Ja perdi minha paleta de sombras...
E minhas notas não consigo conter

Na minha parede penduras outras telas
e meus sons ecoam em outras esferas
lanço em teus cristais as minhas bombas
como música sem dança e sem prazer

Escrevemos um triste enredo de folia
E em nossas linhas ja não vive harmonia
Como escrever um romance com final feliz
Se continuamos a viver por um triz

Com o dedo em riste para minhas manias
E nas cores tão pálidas do dia-a-dia
Não quero mais pintar as mazelas
Sem mares, sem música e letras belas.

Márcia Poesia de Sá  & Wasil Sacharuk

O Futuro do Hoje

O Futuro do Hoje

Hoje acordei a fluidez
Cores escorriam brancas
Na tela azul daquele dia
Ouvi sorrisos de criança

Hoje rasguei a minha tez
Avancei minhas retrancas
Reli um livro de poesia
Plantei semente de esperança

Hoje chamusquei velhas folhas
Bolhas de sabão eu pintei!
Hoje prometi para o ontem
Não me esquecer do amanhã

Hoje repensei as escolhas
Nas asas da fênix viajei
Ergui a alma sobre o monte
Novo colorido a uma tela vã

A obra, cujo título é futuro
Hoje acaba de ser iniciada
Com pinceladas de verdade
Aladas ondas na própria tela

Vou iluminar o tom escuro
Novo horizonte e nova estrada
Serão os objetos da vontade
Um abraço na vida mais bela.

Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk

Chove

Chove

Pingam os pingos
labirintos

caem as águas
maremotos

mortos os mortos
afogamento

chove e chovo junto...

Singram os vincos
malabaristas

vertem as mágoas
mares mortos

correm os córregos
sentimento

chove e choro muito.

Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk

sacharuk tem o apoio de INSPIRATURAS escrita criativa

último arcano

último arcano mais uma dose de fé uma dose de fel dose de céu de ré de dó dose de sorte uma dose de morte mais uma dose de...