Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira
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uivo

uivo

noite surda
o uivo
cheia lua
o cão
canto escuro
o motivo
o amanhecer
o vão

uiva pra lua
o danado
ofendido
irado
oculta a face nas mãos

o dia nasce calado
incontido
iluminado
outros corpos ao chão

sacharuk


mão na guaiaca

mão na guaiaca

noite de sexta-feira
apartei os bichos
de volta à mangueira
bebi uma cachaça
sou cria guacha
vesti a bombacha
apertei barbicacho
me fui pro bolicho
apreciar uma china
a bailar rebolicho
e amarrar o cambicho
para o fim de semana

china sacana
não enganas
meu sangue castelhano
eu sou orelhano
conheço os hermanos
tenho um tio tupamaro
mas eu sou chimango
depois de uns tragos
danço até tango

mas não tenho sina
para unha de vaca
garanto o rango
então vem e te atraca
uma mão no mango
outra na guaiaca

sacharuk


ditirambo

ditirambo

tua saúde mental
 malabarista movida a álcool
toda cagada na corda bamba
dança para minha estima
o som da minha composição

não sabe cantar outro samba
qualquer ditirambo perdido
logo precisas sambar comigo
pois eu te levanto do chão

sacharuk


Sobre o Fogo

Sobre o Fogo

Seria o amor coisa doce
não fosse essa estranha dança
sobre o fogo de feitiçaria

seria amor se não fosse
esse estranho jogo de cobrança
sob o gelo da hipocrisia

onde vislumbro a palavra macia
e esses olhos de desconfiança
de quem oculta insanidades

onde descubro que me desafia
quando sugestionas andanças
no território das meias verdades

vejo o entrecorte das suas vontades
que afiam a faca da torpe vingança
com a cabeça ofertada numa bandeja 

recorro a rezas, a preces, entidades
- bem lá no fundo, quero-me esperança 
de que o que vejo, mais assim não seja -

Seria o amor coisa doce
fosse movimento e mudança
sobre o fogo da poesia

Lena Ferreira & sacharuk

 Versos Sintônicos

a princesa do sul


a princesa do sul

eu te amei no vale dos sonhos
numa tarde de sexta-feira
num cochilo na cadeira
sonhei com teus olhos risonhos

teus finos traços de princesa
cabelos negros formavam espirais
única herdeira do amor dos teus pais
a sucessora da realeza

naquele vale havia uma aldeia
logo no centro do bosque encantado
onde a sorte daquele reinado
era manipulada pela feiticeira

sob o agouro de uma tentativa
a magia negra no bosque vingou
não restaram pessoas vivas
somente tu, a princesa, escapou

e passaram-se dezesseis anos
quando então te tornaste rainha
sem o teu povo reinavas sozinha
aos duros desígnios dos arcanos

mas num certo dia tiveste a visão
de uma deusa envolta em seu manto
que prometia quebrar o encanto
assim que tu beijasses o chão

então a terra ofertou as mercês
o abraço materno envolveu-te ao colo
o encanto sombrio quebrou-se de vez
quando teus lábios tocaram ao solo

o céu em festa recobrou seu azul
a linda aldeia tornou-se cidade
tornou-se recanto de felicidade
e foi batizada Princesa do Sul

e nos meus sonhos eu quero
voltar sempre para nossa aldeia
à margem da praia espero
 minha princesa beijar lua cheia

sacharuk


acerca da ilusão

acerca da ilusão

a casa onde mora ilusão
não é um buraco no vão
ou argumento destituído
utopia inconsistente 
silogismo diluído

não tem no juízo 
a sua razão
habita um recôndito empírico
não tem estatuto científico
é só desejo de pura expressão

a ilusão tem a cara da musa
de natureza doce e confusa
para insinuar a fantasia

é mãe do fogo da criação
a leal amiga da inspiração
que nasce no reino da poesia

sacharuk


ela quer dançar para a Lua

ela quer dançar para a Lua

ela chega bem leve
cadência tão quieta
           poisa silente
em compasso de pluma

ela cai chuva fria
despenca repleta
no meu corpo quente
           em gotas nuas

ela aponta o poente
seus sussurros molhados
declamam eloquentes
versos improvisados

denuncia segredos
confessa silêncios
que ouço encantado
de olhos fechados

   ela quer dançar dançar
                   vai dançar
       para a Lua

ela quer dançar dançar
                     vai dançar
                para a Lua

ela mostra tão lindas
       suas asas abertas
de matizes brilhantes

ela tremeluz radiante
        sobre a fogueira
tal serpente de vento
      enroscada na voz
de um sopro
      um sopro
        um sopro

ela aproxima cadente
na boca o sorriso
sorri divertido
         de um só lado

denuncia segredos
confessa silêncios
que ouço encantado
de olhos fechados

    ela quer dançar dançar
                   vai dançar
       para a Lua

ela quer dançar dançar
                     vai dançar
                para a Lua

sacharuk


velho blues

velho blues

hoje durmo na calçada
armo barraca na rua
meto o pé na estrada
lanço fumaça pra lua

passo a perna na vida
não faço sinal da cruz
eu sei viver na batida
o trem desse velho blues

lua cheirosa de incenso
no fogo da quintessência
no velho blues eu descanso
no embalo dessa cadência

e ainda eu junto as maricas
em busca de calor e luz
a barriga ronca larica
no trem desse velho blues

no trem desse velho blues

sacharuk


verbo alado

verbo alado

não desejo
dizer impropérios
pois não pretendo
 ser esmagado
dessa sociedade
elemento banido
sem rastro de escrúpulo 
ou qualquer bom motivo

não pedi
 para ser perdoado
o que me dói 
não pede remédio
a minha fé 
não oculta mistérios
o meu ministério 
exerce o pecado

o meu argumento 
é incompreendido
tem ponta de raio 
e também lenitivo
então é relegado
ao total despautério

para se dizer
carece critério
tratar das ideias
 com certo cuidado
não se pode irromper
de espírito despido
nem ser tão sincero 
sequer agressivo

sei que a felicidade 
passeia ao meu lado
não pede verdades
crenças e assédios
o meu ateísmo 
é um bom refrigério
encontro meu deus 
num verbo alado

sacharuk


por fora da linha

por fora da linha

vejo-te cá
célebre e insana
bebendo cerveja 
numa latinha
torturas sem dó 
e sem discernimento
aos que vivem à sombra 
dos lamentos

tu bebes o sangue
e nunca definhas
e te fartas de luz 
nessa sede sacana
abraças ao diabo 
com graça e com gana
em meio ao teu fogo 
de erva daninha

tu que escapas 
ao letal julgamento
tascas a picareta 
num céu de cimento
antítese notória
de uma fadinha
asas abertas 
no inferno de lama

não é só poesia 
que a noite reclama
apontas teu dedo 
tal uma varinha
as unhas que juram
o rasgo sangrento
um parto na noite
um novo rebento

tua palavra 
oculta artimanha
sem rastro de rodas 
da tua caravana
se tu te insinuas
secreta e cigana
nos versos ocultos 
por fora da linha

sacharuk


questão teleológica

questão teleológica

será o poeta
meramente um esteta
finge o que sente
sentimento ausente?

se finge o que sente
logo sente o que finge
está mesmo presente
ou somente restringe

de qualquer signo
deságua uma fonte
coração é desígnio
poesia é horizonte

sacharuk


paira a voz

paira a voz

paira a voz
sopro cuidadoso
manobras de vento
pela corda bamba

a voz pedra muda
quando a água desanda
a escorrer pensamento
marujo ruidoso

e qualquer palavra
cutuca e crava
os seus absurdos

paira a voz
pelo tom silencioso
sem dó sem lamento
não dá samba

a voz pedra surda
na vertente que canta
pelo ritmo lento
porta som poderoso
e qualquer palavra
empurra e trava
as portas do mundo

paira a voz
no silêncio curioso
seu secreto elemento
tanto diz e encanta

sacharuk


gotas de som

gotas de som

enquanto correr o rio
andarei contigo
pelos atracadouros
dos tempos

enquanto brilhar a lua
guardar segredos de ouro
percorrerei as ruas
dos teus pensamentos
invadindo teus olhos

ya ya ya - ya ya
na chuva

ya ya ya - ya ya
na chuva

teu fogo de bruxa
imprimirá serpentes
de sombra nas paredes
soprarei gotas
de sons no teu ouvido
tal fossem um vento
um vento
um vento

ya ya ya - ya ya
na chuva

ya ya ya - ya ya
na chuva

sacharuk





somos a graça

somos a graça

a graça é a beleza
e ter os meus olhos
para ver hmm hmm
para ver oh oh
para ver

a graça é o amor
e ser coração
para sentir hmm hmm
para sentir oh oh
para sentir

o universo sou eu
e és tu
o universo és tu
e sou eu
e sou eu oh oh
e sou eu

a graça é o tempo
e ter os meus dias
para viver hmm hmm
para viver oh oh
para viver

a graça é saber
e ser compreensão
para entenderr hmm hmm
para entender oh oh
para entender

o universo és tu
e sou eu
o universo sou eu
e és tu
e és tu oh oh
e és tu

sacharuk


Cárcere Curitiba 7

Cárcere Curitiba 7

Criatura com cheirador corrigido com cirurgia, chefe congregação comunista, chamada Crazy, chegou cadeia curitibana carregando caixa cheia com cachaça cinquenteum, chocolates,cervejas, canapés, caviar, charutos....

-chefinho carece comer. Certamente comida cadeia com consistência carente. Chefinho Calamar com calças caindo,

-Claro, claro, cumpanhera Crazy. Conforme cunversamo coisas compatíveis com comunismo, Calamar comerá chocolate com copo cheio com cerveja.

-conta, chefinho. Como consegue conviver com condenação? Chefinho carece colchão confortável. Cadeia contaminada com catinga. Carcereiro considera chefinho Calamar como cachorro. Comprarei congelador. Chefinho colocará cerveja.

-Cumpanhera, Calamar curte cachaça, curte cerveja, contudo, Calamar carecendo comer cu.

-Claro, chefinho. Crazy concederá. Começará com chupadinha.

-Certo cumpanhera. Cumeça!

-chup chup chup

-caaa caaaa caaaaa

-Contente, chefinho?

-Corre criatura, chama clínico. Calamar com crise cardíaca!

-Carcereiro, carcereiro! Chama clínico cubano. Chefinho Calamar com coração congestionado!

-Cubano caralho, cumpanhera Crazy! Chama clínico com certificação!

sacharuk


golpe

golpe

professora conta
que Lula é herói
os pais afirmam
que é bandido
e o garoto
nem dá bola
absorto e perdido
no quintal da escola
que defende partido

sacharuk


versos de viés enfadonho

versos de viés enfadonho

pelos dias esquisitonhos
perpassa grande alegrura
de sabonetar-te inteira
baunilha e laranjeira

liberto das lagrimaduras
viajante eu parto no sonho
escrevente de versos bisonhos
na tua púbis de capinadura

quando percorro tuas cadeiras
subo dos pés até as cumeeiras
a poetar pela tua textura
alguns versos de viés enfadonho

abraço aos desejos medonhos
mergulhados nas tuas farturas
a brincar nas delícias faceiras
balbuciantes palavras rameiras

e quando a coisa fica mais dura
quer entrar e sair sem estrondo
nos recantos de encantos redondos
a jorrar os fluidos da cura

sacharuk


Cárcere Curitiba 6

Cárcere Curitiba 6

Circundavam calçada, centenas criaturas com camisetas coloradas, confeccionadas com cara chapada criatura chamada Che. Comunistas coordenados conclamavam cizânia, clamavam como carneiros: "Calamar candidato" "Calamar candidato", carregando cartazes com caricatura Calamar Cachaceiro. Criaturas com cútis coloridas, confinadas conduziam cartazes condizentes com "conservar cotas" "coordenados contra corfobia" "Calamar comprometido contra corfobia", clamavam consideração. Criaturas com corpos comuns chacoalhavam colhões, chacoalhavam chibil, cu, considerando comover comunidade contra chavascofobia, contra caralhofobia, contra cacofonia, contra coxinhas, contra Comandante Coiso, contra capitalismo. Criaturas cagavam chão calçada conclamando cruzada contra cufobia.

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Calamar Cachaceiro chegou Casa Causídicos Civis Criminais conduzido com corporação. Calçava charmosa caneleira circuitada. Carregava cantil com café conjugado com cachaça cinquenteum.

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-Calamar Cachaceiro conhece condição como considerar continuar calado, conquanto converse concordará com coisas contra Calamar Cachaceiro consideradas como confissão?

-Claro, Causídica. Calamar Cachaceiro corresponde criatura com considerável condição comunitária, colocou crianças colégio, construiu cisterna, combateu corrupção conquanto comandante central.

-Calado, criatura. Converse conforme convidado.

-Credo, cumpanhera Causídica!

-Concorda com compra chácara com cash corrupto, com conveniência concessionária construtora?

-Cumpanhera Causídica, Calamar Cachaceiro confere com criatura cujo comportamento condiz com coerência, conseguiu crédito, carentes compraram carro. Chácara comprada com construtora corresponde contrato construtora concessionária com cumpanhera Cadáver, contudo, Calamar considera contrato compra chácara como coisa construída com coxinhas.

-Considero Calamar Cachaceiro culpado cumprir condenação calçando caneleira circuitada, contudo, convém continuar convivendo capital centroeste, coabitando casa com crias, com condicionador climático, com cafezinho, cachacinha, churrasquinho, com celular, computador, calçando chinelas com cuecão, chambre, chamuscando charutos conseguidos com Castro.

sacharuk


Cárcere Curitiba 5

Cárcere Curitiba 5

-Cumpanhero carcerero, compareça cá!
-Claro, Calamar Cachaceiro, comparecerei caso caríssimo condenado Calamar colabore com caixinha. Clube carcereiros carece cozinhar churrasco com cerveja como comemoração conquista candidato chamado Coiso. Carcereiros contentes. Cairão chefes cadeias continentais, carcereiros crivarão corpos condenados com consentimento chefias. Cada condenado cretino considerará caminhar com cuzinho cerrado! Concorda colaborar com caixinha, comandante Calamar?

-Certamente, cumpanhero. Calamar Cachaceiro colaborará com cinco centilhões. Carece carcerero chamar cria chamada Calamarzinho comparecer cadeia Curitiba.

-Cumpra-se, comandante.
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-Caro Calamarzinho, compete começar criar carreira como chefe continental. Carece contar como Calamarzinho começou catando cocô, cheirando cu criaturas confinadas cativeiro, contar como Calamarzinho comprou companhia cuja competência confere com confeccionar carne churrasco com celulose, convém contar como Calamarzinho comprou companhia centralizadora chamadas celular... Corre, Calamarzinho, compete criar carreira como candidato!

-Certo. Como conduzir campanha contra Coiso?

-Chama cumpanheros comunistas colaborar com campanha. Coloca criaturas com clitóris cristalizado contra Coiso, coloca cornos, cachorros, crianças, condenados, criaturas coloridas... coloca contra Coiso. Cria comunicação caramboleira contra Coiso. Contrata criadores comunicações cretinas, convoca chinelagem comparecer carreata com camisetas comunistas confeccionadas com cara criatura chamada Che. Convida co-candidata com carinha cadela cio, com chibil convidativo. Chama comandante continente chavascuelano Cuduro com canhões comunistas. Contudo, caso Calamarzinho chame Covarddad como colaborador campanha, cortarei colhões cumpanhero Calamarzinho! Compreendeu criatura? Contudo, corre cantina comprar cachaça! Careço consumir.

sacharuk


ataranto


ataranto

quando a garganta do vulcão
rasgou palavras de fogo

quando a boca do dragão
escarrou fluidos do ódio

tua calma
não encontrou a vertente

tua alma
não se banhou no riacho

sacharuk