Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

malleus maleficarum

malleus maleficarum

havia jurado
coisa alguma
julgado por heresia
condenado ao fim dos dias

falácias despudoradas
a única verdade
sustenta a insanidade
de subtrair prata vultosa
a garantir o óleo
da lâmpada luminosa

desaparecidos amigos
já há uma semana
Gerard, Eliphas, Joana
levados do abrigo

que o demônio
não os tenha
lançado ao fogo

a carne
as vísceras
os ossos
a corda aperta o pescoço
desenlace da sina
o repúdio
a ira
a raiva assassina

a cara escarrada
da hipocrisia
infeliz arremedo
dispara ditames
alastra a dominação
o rastro de medo
em nome da salvação

sacharuk


amálgama


amálgama

versos imersos na alquimia
números, véus e encantos
grimórios e revelações
sobre o colo de sofia
letras vertidas no manto
entre cruzes e orações

pés profundos de poesia
as águas contornam recantos
de sonhos e abstrações

segredos e bruxarias
utopias de plasma e pranto
amálgama da criação

sacharuk


macromaníaca


macromaníaca

oi gato
sou mulher
do tipo casada
só para quem quer
vou dizer:

quero homem sensível
carinhoso
de pau grande
para me satisfazer

meu gostoso
pode vir que aqui tem
mas o mais importante
além do pau generoso
é saber mentir bem

sacharuk


compreensão

compreensão

o barco passa
pelas águas sem bandeira
bailam marés sereias
a vida que passa
o grande mar
 levará

sacharuk


karuna


karuna

derrama
vertentes das íris
o calor das tuas mãos
derrama amor
sobre as cicatrizes
derrama benção

o universo és tu
o universo é a cura
o universo é o senhor

aprende
da luz os matizes
da força no pão
aprende a dor
das coisas possíveis
e das que não são

o universo és tu
o universo é a cura
o universo é o senhor

sacharuk


vapor vermelho

vapor vermelho

a vida passa
passa vapor vermelho
nos azulejos azuis e limo
a nova sina passará

a roda gira
gira vapor vermelho
na magia insana do ouro
o novo ciclo girará

dá-me tua mão
na trilha da nova era
replantaremos a terra
e colheremos nação

o tempo voa
voa vapor vermelho
da faixa branca no céu
o novo espírito voará

o perdão abraça
abraça vapor vermelho
juntos na estrada do futuro
a esperança abraçará

dá-me tua mão
na trilha da nova era
replantaremos a terra
e colheremos nação

sacharuk


versos sem dentes

versos sem dentes

fico triste
se fechas a porta
o vento me corta
a fortaleza resiste

desiste
insiste
e novamente
resiste

já vive morta
a verve doente
entre versos sem dentes
insonsos 
no bloco de notas

copia
cola
deleta
recorta
anota

clichês de poesia

sacharuk




desacordo ortográfico

desacordo ortográfico

quero a volta do trema
diérese em traços bifálicos
para enfiar no teu  ü




mel merengue chocolate

mel merengue chocolate

teu mel gruda
meus beiços
 tuas bolas de merengue
pingadas de chocolate
meus lábios
 beijam-te anseios
desejo pulsante
tão doce
invade

sacharuk


yolanda não anda no vento

yolanda não anda no vento

yolanda
não anda
na ventania
meu amigo Milanês

ela esconde do vento
versos de covardia
desprovidos de sentimento
caprichados na caligrafia
para cumprir as mercês
fotografia e lamentos
apenas palavras vazias

se yolanda
não anda
no vento
yolanda não vai
escrever poesia

sacharuk


óculos arcoíris

óculos arcoíris

vejo-te sentada à poltrona
deixada no meio da rua
sobre o tapete de alcova
sob a luz que bate na lua
nas minhas lentes arcoíris

sinto-te no prazer que emana
a visão das tuas ancas nuas
a serpentear-te aos matizes
jorram dos bicos das mamas
cores impuras
com cores cruas

teu caleidoscópico sorriso
estampa as vaidades tuas

sacharuk


todas as manhãs

todas as manhãs

bem-te-vi
teus olhos
acordar meu sorriso
bem-te-vi
beijos coloridos
bem-te-vi
dia inteiro
bem-senti o teu cheiro
bem-te-vi nas promessas
bem-que-quis tuas carícias
de todas as manhãs
de amor e preguiça

sacharuk


Haicatártico

Haicatártico

das dores que nos afligem
escrevi poesia
das chuvas e ventanias

sacharuk





"bilete" de hoje para ser lido amanhã, dois de outubro

"bilete" de hoje para ser lido amanhã, dois de outubro:

eu gostaria de ter reconhecido o cabo daciolo há mais tempo. Eu, que estou tabulado entre os indecisos, já conheço de antemão o que posso esperar de todos os outros, ratos profissionais, a serviço da desordem e da roubalheira.

Eu havia optado pelo voto útil, mas agora, percebendo que o empate entre o bonzonaldo e o poste do ladrão é inevitável, considero optar pelo daciolo. Mal conheço esse candidato, que parece doido de dar dó, porém, conheço bem aos outros e prefiro errar tentando do que ser outro idiota útil a esse sistema podre.

vou votar no cabo. Se ele, por um milagre de deuxx, se eleger, aposto que pior do que está não vai ficar (pela primeira vez na vida acredito nisso como argumento válido).

para quem já conheceu a dilma, acho o daciolo ultracapacitado.

penso que vocês deveriam fazer o mesmo. Pensem nisso com carinho. Ao menos se pode esperar algum senso moral de um vivente que afirma se expressar em nome de deus. Daciolo está sussurrando esperança ao meu coração ateu.

hoje muitos lamentam a passagem do enéias... era o maluco da hora e virou chacota da ratazana. Ele precisou morrer para ser visto.

é verdade esse 'bilete'.

sacharuk


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véu do mistério

véu do mistério despencadas brumas das cúmplices estrelas luz de lua e velas falseadas penumbras sob o véu do mistério do olhar do abutre o ...