Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

pelos mares sem astrolábio

pelos mares sem astrolábio

a morte beijou-lhe os lábios
✝️💀 🧟‍♀️tão docemente

o sangue verteu-lhe regato
🧟‍♂️🧟‍♀️🧟‍♂️ tão docemente

legião tomou-lhe o corpo
✝️💀✝️ tão docemente

sobranceiro findou o seu sopro
🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♀️ tão docemente

foi tão docemente

o anjo o levou para o sábio
✝️💀✝️ tão docemente

o destino zombou tanto ingrato
🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♂️ tão docemente

o eterno atracou ao seu porto
💀⚓ tão docemente

a morte o lançou ao espaço
💀✝️✝️⚓tão docemente

arrastaram as correntes
a vida desfeita num laço
tão docemente

pude ouvi-la partir
tão docemente

sacharuk


chovendo delícias

chovendo delícias

não tortura-te
frágil fruto amora
que logo adentro a ti

estive pele afora
percorrendo tuas coxas
e chovendo delícias
na tua boca

sacharuk


ela e as ancas

ela e as ancas

ela anda pela floresta
ela e as ancas
ele a vê
ele a quer

ele a persegue
ela apressa
ele apressa
ela titubeia
ele para
ela congela
ele anda
ela corre
ela corre
ela corre

ele corre
lépido
perspicaz
e rápido

ela corre
desajeitada
ela e as ancas
ela e os seios

exausta se esconde
detrás de um tronco
ele a perde
ele a procura
ele a vê
ele a quer

ela levanta
ele corre
ela corre
ela corre
ele a alcança
ele a pega

ela grita
ele a joga
ele a subjuga
arranca a blusa
ela grita
ela chora
ela bate
ela chuta
ela o derruba
ela foge

ele corre
ele corre
ela foge
ela foge

ele a alcança
ela e as ancas

ele a fode
ela explode
ele pode
ele pode
ela o vê
ela o quer

sacharuk


chuva tocada a vento

chuva tocada a vento

hoje aqui a natureza fala línguas que ainda não conhecias. Tão lindo te ver assim, tal criança saltando sobre as poças nas calçadas em dia de chuva tocada a vento. Vejo-te renascer não apenas para sentir, mas para ser sentida pelo toque, nem sempre tão gentil, dos teus novos climas e tempos

sacharuk


sacharuk 😍 😙

era só poesia

era só poesia

 enquanto dormias
beijei-te os ombros
           toques suaves
para não te acordar

meus cheiros
furtivos ao teu pescoço
perdidos por tua nuca

impregnei-me de ti
teu gosto
ainda trago comigo
presente

os fios dos teus cabelos
são cócegas no meu nariz

dormi em paz
dormi feliz
zzzz
zzz

parecia sonho
mas era só poesia


sacharuk😍😙



vida selvagem

vida selvagem

vida selvagem
essa minha
galho em galho
num parque temático
com um poema
virtual informático
muito bem
enquadrado na linha

sacharuk😎🤗

O quanto de amor

O quanto de amor

O tempo das horas não modifica, a lua continuará espelhando luz å irrelevância das minhas respostas. 

Assim, continua aos teus passos firmes a engolir a novidade dos ventos que te sopram. Meu calendário já não marca efemérides e na cratera do meu espaço, o fundo é uma cama de rochas pontiagudas.

Amanheço com a boca aberta para beber gotas de orvalho e o sabor amargo ainda me refresca. Logo terei gelo envolto em minhas vísceras. 

O quanto de amor ainda me tens?
O quanto de amor ainda te tens?

sacharuk



amoreira

amoreira

obscura amoreira
das raízes cortadas
já não vinga na mata
junto aos passarinhos
agora cresce
faceira
no quintal do vizinho
sobre a terra lavada

sacharuk

um lugar


um lugar

quando esse frio for embora
quando essa chuva passar
         entre as canecas de café
         haverá para nós um lugar

o mar deitará sobre as rochas
            e os pássaros voltarão a voar
no jardim das flores eternas

    tu correrás para o mar
            eu vou pegar uma estrela
para nós haverá um lugar

quando voltar o calor
quando passar essa dor
        poderemos de novo andar
       pelos parques e riachos

tu correrás para o mar
    eu vou pegar uma estrela

tu correrás para o mar
    eu vou pegar uma estrela

para nós haverá um lugar

quando passar essa dor
haverá para nós um lugar

sacharuk

 

17 de julho


17 de julho

ignora o sangue que verte
das tuas feridas
acaso escolheste viver

não é o passado
que fecunda tristeza

mas o temor do futuro

a solidão
é agrura do tempo
evitado

sacharuk 😎😁

prana

prana

arranco-te os cabelos
mordo-te os lábios
asfixio-te

depois sopro

sacharuk

Gosto

pictórica

zangada

zangada

zabe,
zozeuzuni
zuni zunindo
zuni zoando
zucrinando zovidos
zim
zom
zum

zabe,
zozarranhei
zeus zombros
zás
zim
zom
zum

zaiu zangue
zencheu zozolhos
zorei
zorei zorando
zangada

sacharuk


teu santo nome

teu santo nome

terrível algoz
oculto na senda
irrompi as manhãs
que amaste
tão honestamente

tomei-te o tempo
tomei-te a agenda
embacei o teu viço

joguei-te ao feitiço
de ser minha vítima
e eu
também vítima de mim
fui juíz e pecado

santifico teu nome
na noite escura sem lua
na chuva fina sem fim
outrora pronunciado
na minha boca imunda

sacharuk



usa os dentes


usa os dentes

usa os dentes
marca-me a carne
saliva e batom
meu prazer
teu dom

sê o cárcere
desses desejos urgentes
inglesa poesia eloquente
a recitar-me com classe

perde o tom
provoca aflição
aniquila-me num passe
tua magia impaciente

usa os dentes
até que a pele esgace
dor arrepio frisson
língua garganta e mão

sê o ápice
o gozo insurge vertente
apara delicadamente
quando explodir em tua face

sacharuk

sacharuk tem o apoio de INSPIRATURAS escrita criativa

véu do mistério

véu do mistério despencadas brumas das cúmplices estrelas luz de lua e velas falseadas penumbras sob o véu do mistério do olhar do abutre o ...