Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

dedinho de poesia


dedinho de poesia

não faço como Getúlio
não faço como Tancredo
fizeram muito barulho
mas se cagaram de medo
e não me falta orgulho
pois só me falta um dedo

não faço como Fernando
não faço como o Henrique
eu já estou entornando
no fundo do meu alambique
e hoje estou misturando
cinquenteum com uísque

não faço como Juscelino
sequer como o Figueiredo
não quero bandeira nem hino
nem milico acordando cedo
eu ganho o império latino
e só me falta um dedo

não faço como Sarney
não faço como Itamar
eu sou apenas o rei
que o povo aprendeu amar
ninguém precisa de lei
se eu posso mandar

sacharuk