não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças,nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.

sacharuk escreve em inspiraturas.org

fé demais

fé demais

Teimoso era o burro
do Teodoro
batia cabeça dura
nas tábuas da baia
logo após desmaiava
durinho da silva

Teodoro
tentava bocaboca
simpatia
recitava poesia
reza forte
salvava o burro da morte

certo dia
montou o quadrúpede
e orou
pediu para deus
por um tanto de sorte

recém ressuscitado
o animal vacilão
bateu de novo a cabeça
lançou Teodoro à distância
que espatifou-se ao chão

Teodoro
além de burro é simplório
morto na contramão
atrapalhou o trânsito

o burro
filho de égua e jumento
não mais do que burro
só desmaiou
mas ainda viveu

moral da estória:
mais burro que burro
é quem esperou pela glória
confiou na vitória
e só se fodeu

sacharuk

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Audiverimus - "Dizimista Fiel" (Sacharuk)

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