Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

problema meu




solitude-3

problema meu

se amo
problema meu
não abras
um universo fechado

não queiras julgar
não queiras julgar
o que a mim pertence

se amo
nada tens a ver
não persigas
meus passos

teu amor
enlouquece
intriga
enfurece
se não sabe
quem sou

não queiras saber
não queiras saber
se amo na alvura
ou na escuridão

se amo
estranhezas
certos fracassos
não há o que dizer

teu amor
enlouquece
intriga
enfurece
se não sabe

se amo
problema meu

sacharuk

bonança


bonança

um vento tranquilo
veio para amainar 
o tempo cruel
e suas correntes

soprou brisa tal consolo
acordou aos crentes
aos idealistas
moralistas
aos tolos

soprou sementes de versos
nos campos dispersos
da nova poesia

soprou sereno
nuvens feitas das águas
do mar das calmarias