não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças,nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.

sacharuk escreve em inspiraturas.org

o soneto jaz na biblioteca

o soneto jaz na biblioteca

o olho esquerdo
castanho escuro 
pupila escondida 
na pálpebra 
oscila e molha

gota a gota
do canto 
deslizam densas
e lentas

o olho esquerdo
castanho escuro
pisca uma, duas
três vezes... 
mais nenhuma

o outro
observador direito
paralisa alguns segundos
logo fecha-se 
tal seu gêmeo

gota a gota
do canto 
deslizam cadentes
sobre o caderno 
encharcam o bloco 
pingos coesos
de catorze versos 
simétricas estrofes 

A cadeira inclina 
a caneta quica
no canto escuro
do chão

sacharuk

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