não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças,nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.

Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas tu podes treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - Repaginada para 2020 - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

sacharuk escreve em inspiraturas.org

2015-07-31

Rio Oceano



rio oceano

se sobrevoo o rio
martim das asas azuis
da linha da vida o risco
do norte até o sul
costura rasgos sombrios

então oferto às águas
todas as coisas que sou

percorro córregos mansos
pelos teus recantos
até beber um oceano
vertido sobre teus olhos

se sobrevoo o rio
uma ave intrusa
de asas que não encolhem
nem sequer sob a chuva
que se queda por nós

então oferto às águas
todas as coisas que sou

percorro as tuas rotas
por todos cantos
até beber um oceano
vertido sobre teus olhos

sacharuk


2015-07-13

a sapiência dos sapos

Ilustração: Piliero Adesivos

a sapiência dos sapos

pergunta ao sapo
acerca do que sabe
 ele dirá:

nada, nada, nada

a sapiência dos sapos
ensina a nadar
entender o alarido
nas águas turvas
do lago dos girinos

lá o vento
não faz curva
mas ensina
a romper oceanos

lamento
amigo destino
se não tracei planos
à minha sina

sacharuk

2015-07-08

autofake



autofake

sou autofake de mim
e por fim
eu sou eu por si só

então uso pó
botox e photoshop
eu quero ser pop
e ficar bem bonito
último grito
da moda

meu autofake é foda
e eu amo my selfie

sacharuk

nos anais

Nos anais

Reger o continente depravado
É missão de sinistros animais,
Assassinos, ladrões e generais,
No parlamento esplêndido do Estado!

Organizam discípulos desleais...
A vil conspiração do Consulado
Por homens de respeito invalidado
Em quartéis, ministérios, catedrais

São bestas que figuram nos anais
Presidentes, senadores, deputados
E os juízes, assessores e cardeais

E o povo indolente e seviciado
Dá de costas, de frente e de lado
E vez por outra ainda pede mais.

David Moura & Sacharuk


2015-07-06

bicho carpinteiro

bicho carpinteiro

bicho carpinteiro
é o bagunceiro da escola
coleguinha "sem noção"
nunca aprende a lição

chutou tão forte a bola
sequer havia goleiro
arrancou a flor do canteiro
o monstrinho está por fora

é um bichinho bobão
que não sabe ouvir "não"
nunca escuta a professora
briga durante o recreio

quando o bicho diz nome feio
os seus amigos vão embora
adora bancar o machão
é criador de confusão

e todos esperam a hora
do bicho ser menos arteiro
se não mudar isso agora
jamais terá companheiros

sacharuk

almas de vento

Almas de Vento

E de que metade nos assemelha o sabor?
a coloração tácita do cérebro
um elo entre o visível e o invisível

- Quem somos nós?

Prendemos versos entre anéis do infinito
onde o fogo arde a dança néscia
um alimento ao irreal impossível

Não estamos sós!

Poetas das entranhas benignas
malditos seres com almas de vento...

- Quem somos nós, rastejantes?
ou voadoras flechas do intelecto?

Somos os prestiditadores dos signos
bardos confinados às letras e cantos
não estamos sós, mesmo distantes
nas sonhadoras curvas do dialeto

Inquietamo-nos sem saber...
aquietamo-nos por preguiça!
somos o raio que simboliza
e a dor que agoniza
inocência e malícia
de escrever.

Márcia Poesia de Sá & Sacharuk