não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças,nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.

sacharuk escreve em inspiraturas.org

amora molhada


amora molhada

sabes amora
eu deveria pensar
em não chover mais em ti
mas isso não importa
se usas guarda-chuva

amora
não tenho capa
sequer uso luvas
saíram de moda

e se te incomoda
tu te apartas
dos pingos
te resguardas
no abrigo
se minha chuva
te molha

mas vai
vai amora
leva a cadeira
e teu maldito
guarda-chuva
senta lá fora
sem roupas

mas naquela hora
amada amora
eu bem sei
que tu ficas louca
se eu mergulho
nos teus olhos
em cântaros

amora
vejo sóis
se chovo em tua boca

sacharuk


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