não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças,nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.

sacharuk escreve em inspiraturas.org

heresia

heresia

entre o ser e a essência
não há evidências
apenas dogmas
sentenças e estigmas
forçosa doutrina
a mim não determina

pois prefiro a heresia
em vez da guerra fria
por uma idolatria

entre fé e descrença
não há diferença
apenas escolhas
e escondidas vergonhas
de teor moralista
a mim não conquistam

pois prefiro a heresia
em vez da vã teoria
pela teologia

entre crença e razão
não há argumentação
apenas falácia
nenhuma eficácia
e nenhum silogismo
sob a luz do tomismo

pois prefiro a heresia
em vez da Filosofia
no fogo da Inquisição

sacharuk

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