Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

semeadura


semeadura

Se sarasse sua saúde
seca semente

Sobrariam sombras
sobre sertões
Serenaria sol solapante

Seria sábio
seca semente

salvar seus sonhos
semeando solo
servindo sociedade

sabes
seca semente

sol sempre seca
sempre...

savanas são serradas
selva silenciada
suplicando socorro

salve-se
seca semente
sonegaremos sua secura
sob sol sequestrado
serviremos sua semeadura

sacharuk

Simples seara sem semente

Simples seara sem semente

Sônia simplesmente semeia
Silenciando sofrimento
Seu sólido solo saqueia
Singelos sonhos semeados

Sorrir sem sentir só seria
Sensação suave, somente
Sem serventia sem soberania
Simples seara sem semente

Sacrifica sério semblante
Sela santo solo servil
Supera sol solapante
Sucumbe sentido sombrio

Seria só sentir sem sorrir
Somente suave sensação
Sem sobrepor sem servir
Simples seara sem semente

wasil sacharuk

Sete Sinas

Sete Sinas

Sobras são separadas
Semeando sua solidão
Se sobra sangue são
Será sua saúde sarada

Seus sonhos são salvos
Sobrevivem solitariamente
Seus segredos suportados
Sete sinas, secularmente

Seus sentidos sustados
Serão seriamente serenados
Salvo suas solicitudes

Seus saberes sabatinados
Sutilmente solidificados
Serão segregados sem saúde

wasil sacharuk

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Seixos segmentados

Seixos segmentados

Solte sua sábia semente seca
sob sol sentinela sutil
soterrando símbolos sagrados
sob solo sarado servil

Seu sacerdócio
sua súplica
seguirão sonhos singulares
sequestrando sistemas solares

Se sentires seus segredos
serem sabiamente selados
sua serenidade será sangrada
Sobrarão seixos segmentados

wasil sacharuk

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Seis segundos... sete segundos

Seis segundos... sete segundos

Sentiu-se seduzida...

Subitamente
seus segredos
sucumbiram

Sua segurança
solenemente sabotada

Sua sobriedade
simplesmente sumiu
Seu sofrimento... sarou

Sobrou sensualidade...
Sentiu seus seios
sacrificados sob soutien
saírem sólidos...

Suplicava sexo...
sensualmente selvagem
selvagemente sensível

Sentiu safadeza
sacramentada
sequestrando sua santidade
saturando sua sensibilidade

Serviu-se sobre sua serpente
sentiu segredos seminais
sufocarem seu semblante
sensivelmente sádico

Supostamente satisfeita
sorriu solta
sobretudo...
seis segundos
sete segundos
superou solidão
saciando sua sede
sentiu-se serena

wasil sacharuk

seissete

Traços Rasgados


Traços Rasgados

Assim ficamos
cada qual para um lado
a romper os enganos
de instantes
doravante
fotografados

De memórias
fotocromáticas
inventei figuras
pitorescas

das juras
abolidas
fiz metades estáticas
joguei certas outras
na lixeira

Agora
de outrora
restam cenas ligeiras

e morro esquecido
nas gavetas
em sépia enferrujado

ao lado
dos traços rasgados
das histórias
obsoletas.

Wasil Sacharuk

Meus guris

fotografia de Andréa Iunes

Meus guris

Não saiam da rima
não percam o clima
tudo o que a vida ensina
é a insistência dos dias
a perpetuação das manias
e os disfarces da poesia

Como disse tia Marisa
se eu não me engano
sintam no rosto a brisa
liberta do minuano

Escrevam em versos a vida
caso for dolorida
caso for desengano
façam dela poema
sem tino e sem plano
sem razão ou emblema
até fora de esquema
ou propósito insano

Façam dos dias dilemas
dos inimigos teus manos
das danadas dores
dos amados amores
 não façam danos

Jamais se esqueçam
que os nossos problemas
são desafios dos arcanos

E sempre compreendam
que o horror dos sistemas
são desígnios humanos.

Wasil Sacharuk

Nua

Nua

Tu que amanheces
no meio das noites
perdida nos tempos
e fora da linha
no viés dos momentos

tão minha

Revolves mares de sal
marés escravas da lua
ao passo que o sol
ainda veste pijama
tu vens e me amas
linda e nua.

Wasil Sacharuk

arte: Madalena Gitana



vestido de poesia

vestido de poesia

já fui musa vadia
lobisomem peludo
provoquei alergia
artífice dos contratempos

já fui mudo
engoli argumento
já pedi alforria
de tudo tudo
que significa alegria
ou configura lamento

já fui pachorrento
e da letargia
fiz ausência de tempo
procrastinei o meu mundo
até o poço profundo
da agonia

de tanto ir embora
eu agora
não ando mais lento
fiz do dia o intento
de escrever poesia
para vestir fantasia
das coisas que invento

wasil sacharuk



De quem nada sabe


De quem nada sabe

Sou como toda essa gente
gado apartado em travessia
procissão de eus enfileirados
e fracos espíritos domados

Minha vida quer ser revelia
e precisa ser mais insurgente
ter os brios na linha de frente
para desbravar outras vias

Sempre os mesmos resultados
de repetidos atos malfadados
a acasalar nossas almas vazias
com tudo o que é existente

Quero tanto ver noutra lente
achar na luta cor e poesia
abrir meu lume encarcerado
e deixar todo medo de lado

E quando acender outro dia
quero despertar diferente
e dar um beijo bem quente
nos lábios gélidos de sofia

wasil sacharuk

A mágoa que cutuca

A mágoa que cutuca

Nas cruzadas
por tua rua, a dor
dela bem sei de cor
o caminho
hesita no meu passo
a longa espera

A mágoa que cutuca
é tão crua, amor
a espera pra ter de volta
o teu carinho
que da mágoa que cutuca
faz quimera

Nas cruzadas
de vida nua, amor
os pássaros
voltarão a fazer ninho
a saudade desce a rua
e vai...

quem dera!

wasil sacharuk


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Pretérito Imperfeito

Pretérito Imperfeito

Ah! Se ele soubesse ler a essência minha
Se soubesse...dispersaria a maresia;
Gotículas de amarguras, densa e fria
E aconchegando-me ao seu peito, diria:
- Serei navegante em seu mar, constante

Se eu lhe fizesse saber da carência minha
Se dissesse... concretizaria a utopia;
Respiraria vida pura, noite e dia
E entregando-me em seu leito, seria
A louca viajante desse amor, distante

Se ele pudesse perceber a ausência minha
Se pudesse... seria minha companhia;
E despiria a armadura, e sorriria
E me enroscando em seu jeito, faria
O amor embriagante sem cessar, rompante.

Ah...Se ele quisesse...Eu não seria minha
E se quisesse...Definitivo eu me despediria
Dessa arrogante senhora: Dona Agonia
Que me entorpece numa dor cortante

Se ele dissesse...Vem! Sê somente minha!
Se sussurasse meu nome...me lançaria
Na imensidão de desejos contidos; arderia
Nos seus laços-abraços; a alma entregaria
Levaria à eternidade a imagem desse instante

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk


Lena Ferreira

sacharuk tem o apoio de INSPIRATURAS escrita criativa

véu do mistério

véu do mistério despencadas brumas das cúmplices estrelas luz de lua e velas falseadas penumbras sob o véu do mistério do olhar do abutre o ...