Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

Frida e a janela

Frida e a Janela

Eu sou Frida, a abandonada. Aos oito anos fui deixada aqui, na janela. Meus pais queriam amor e foram buscá-lo. A vizinha, Dona Herta, vem todos os dias, quatro vezes, e traz biscoitos, sanduíches e o almoço. EuCYMERA_20161208_091943 aguardo aqui, na janela, enquanto observo o monte, lá no fim, entre a campina e o horizonte. Eu sei de cada movimento, cada quero-quero, pardal e, logo abaixo, sei de cada boi magro e meus dois cachorros. Guaipa e Vanerão comem os restos do gado que morreu de fome. O sol matou o capim e as novas sementes continuam aguardando a chuva, tal como espero meus pais. O que sobrou já não é mais verde. Tem aquela cor tempo queimado, meio amarelo ou marrom.
Meus amigos são os periquitos, que conversam comigo lá do tronco seco. Azuis, verdes e amarelos. Eles insistem em falar sobre tempos tristes que jamais voltarão.

wasil sacharuk

sacharuk tem o apoio de INSPIRATURAS escrita criativa

Capuchinho

Elias-Chatzoudis Capuchinho rubro era o seu pecado tingido na vã inocência passeava só sem licença com docinhos confeitados...